sábado, 6 de novembro de 2010

SUPLENTE BONZINHO


Um levantamento realizado pelo Congresso em Foco apontou que o suplente do senador eleito, Vitalzinho, Raimundo Lira (PMDB), foi o que mais contribuiu no Brasil para a campanha de seu colega de chapa.

De acordo com a reportagem, Raimundo Lira, que foi senador entre 1987 e 1995, doou R$ 870 mil para a campanha ao Senado.

Confira a matéria na íntegra:

Escalados para substituir os senadores em caso de licença, renúncia ou morte, os suplentes dos eleitos em outubro já entraram em campo. Um em cada três dos senadores recém-eleitos declarou à Justiça eleitoral ter recebido recursos de seus suplentes ao longo da campanha.

Levantamento feito pelo Congresso em Foco na página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que 19 suplentes doaram R$ 3 milhões a 16 senadores, seja em nome pessoal ou de empresas que constam de suas relações de bens. A ajuda dos suplentes corresponde a 5% de todo o montante arrecadado por esse grupo de senadores. As contribuições variam de simbólicos R$ 500 a quase R$ 900 mil.

A maior doação foi registrada pelo empresário Raimundo Lira (PMDB), primeiro suplente do senador eleito Vital do Rego Filho (PMDB-PB). No final do mandato de deputado, Vitalzinho, como é mais conhecido, recebeu R$ 870 mil de Lira, que foi senador entre 1987 e 1995. A contribuição do suplente equivale a quase um terço dos R$ 3 milhões arrecadados pelo senador eleito.

No último ano de seu mandato de deputado, Vitalzinho diz que teve apoio do partido no estado para indicar o empresário e ex-senador Raimundo Lira (PMDB) como primeiro suplente. A intenção, segundo ele, era motivar o ex-parlamentar a retomar a atividade política e montar uma base eleitoralmente forte no sertão paraibano, região natal de Lira.

As doações, segundo ele, surgiram de maneira natural. “Isso aconteceu de forma natural. Eu o chamei para motivá-lo politicamente. Deixei ele absolutamente à vontade e todas as doações que ele fez foi por estar envolvido na campanha e por entender que estava ajudando”, explica o senador eleito.

Raimundo Lira é casado com uma prima do pai de Vitalzinho, o falecido ex-deputado Antônio Vital do Rego. Segundo o senador eleito, o contraparente estava distante da política após perder as eleições anteriores para o Senado. Dono de uma concessionária de automóveis em Campina Grande (PB), Lira está estabelecido também em Brasília. Doou R$ 870 mil à campanha de Vitalzinho, o que representa 29% da arrecadação total do peemedebista, que foi de R$ 3 milhões.

O senador eleito é só elogios ao suplente. “Ele é um ficha limpa. Procurei alguém que pudesse trazer para a chapa valores políticos e experiência”, conta Vitalzinho. Senador entre 1987 e 1995, Lira foi presidente da Comissão do Orçamento nos anos 90.

Vitalzinho diz que combinou com Lira que os dois fariam campanha juntos, que o suplente apareceria no horário eleitoral e em seus comícios. “Ele não é uma pessoa desconhecida, tirada de última hora para poder pagar a campanha”, afirma.

O deputado diz que não assumiu qualquer compromisso com o colega de ceder a vaga para ele em algum momento, ao longo dos oito anos de mandato, em troca de contribuição para a campanha. Vitalzinho afirma que sua vocação é o Parlamento e que não tem pretensão de deixar a Casa tão cedo. O senador eleito afirma que, caso precise ser substituído, deixará alguém preparado para a função. “Ele tem uma história no Senado. É uma história absolutamente correta, serena, participativa.”

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